Doença Renal Crônica

Uma doença silenciosa, com uma queda progressiva, irreversível das funções renais e que na maioria das vezes não apresenta nenhum sintoma, até que o paciente tenha perdido cerca de 50% de sua função renal. Esta moléstia se caracteriza pela Doença Renal Crônica (DRC).

Ela não escolhe idade e nem sexo. Tem um agravante que a diferencia de muitas outras, pois o paciente começa a apresentar sintomas ou sinais que nem sempre o incomodam muito, como: fraqueza pela anemia leve, pressão alta, edema (inchaço) dos olhos e pés, mudança na diurese (levantar diversas vezes à noite para urinar ou diminuição do volume urinário) e do aspecto da urina (urina muito clara, sangue na urina, etc). “É incomum apresentar sintomas, sobretudo nas fases iniciais. Quando os sinais aparecem, em geral a doença já está muito avançada”, enfatiza a dra. Gianna Mastroianni, coordenadora do Departamento Epidemiológico e Prevenção de Doenças Renais SBN – Sociedade Brasileira de Nefrologia.

Quando a enfermidade é detectada, o paciente, na maioria dos casos, já perdeu geralmente mais de 50% de sua função renal. Pode-se tratar os pacientes com medicamentos e dieta, porém quando a função renal se reduz abaixo de 15 %, torna-se necessário o tratamento dialítico, ou seja, filtragem do sangue por outros meios que substituem os rins ou o transplante renal.

Hemodiálise: Quando os rins perdem seu funcionamento decorrente de alguma doença, a pessoa passa a ser portadora de Insuficiência Renal Crônica, sendo necessário a realização da diálise. Esta terapia substitui parcialmente a função dos rins doentes, retirando o excesso de toxinas, água, sal e outras substâncias com a ajuda de um dialisador (capilar ou filtro).

Durante a hemodiálise, parte do sangue que é retirado passa através da linha arterial do dialisador onde o sangue é filtrado e retoma ao paciente pela linha venosa. Ela é realizada três vezes por semana durante quatro horas por dia, porém podem existir variações neste tempo dependendo do tamanho e da idade do individuo, assim como em uma gestante.

É bastante comum durante a sessão dialítica, o paciente sentir cãibras musculares e queda rápida da pressão arterial (hipotensão). Esses sintomas acontecem em consequência das mudanças rápidas no equilíbrio dos líquidos e do sódio. Além disso, a hipotensão pode causar fraqueza, tonturas, enjoos ou mesmo vômitos.

Diálise Peritoneal: Esta modalidade usa o próprio peritoneo do paciente como “filtro”, utilizando soluções que são infundidas na cavidade peritoneal através de um cateter e que propiciam as trocas de eletrólitos e retirada de água e toxinas. Pode ser feita em casa de forma ambulatorial, e neste caso o paciente e seus familiares são treinados para efetuar as trocas das bolsas de diálise. O paciente precisa ir ao centro de diálise apenas uma vez ao mês para trocar de equipo. Outra forma de diálise peritoneal é feita através de uma máquina que controla a infusão e retirada do líquido (intermitente); neste caso o paciente faz a diálise uma a duas vezes na semana, podendo ser feita no serviço de diálise e na própria casa, quando consegue a máquina. A complicação deste tipo de tratamento são as infecções peritoneais que podem ocorrer e comprometer a qualidade e a vida do paciente renal crônico.

É bom saber!

Que dentre as várias doenças que podem ocasionar comprometimento renal, estão principalmente a Hipertensão Arterial, o Diabetes e as Glomerulonefrites.

Hipertensão arterial (pressão alta) – A lesão das artérias pela pressão alta compromete a filtração renal nos capilares glomerulares, podendo causar a disfunção renal. Além disso, os rins são os principais responsáveis pelo controle da pressão arterial, por isso é frequente tê-la na insuficiência renal.

Diabetes – É uma das mais importantes causas de falência dos rins. Geralmente, a complicação renal aparece após 15 anos do diagnóstico do diabetes, sendo mais frequente nos pacientes que não fazem o tratamento adequado sem acompanhamento da função renal.

Glomerulonefrites (“nefrite crônica”). Resulta de uma inflamação crônica dos rins, em que na maioria das vezes, passa despercebida e evolui lentamente com a perda gradativa da função renal.

De acordo com o médico angiologista Fabio Augusto Moron, outros motivos que podem desencadear a DRC estão nas doenças cardiovasculares. Ele aponta ainda o uso indiscriminado de anti-inflamatórios, antibióticos e a automedicação sem orientação médica, associada ao álcool e o tabaco. “É fundamental a orientação da sociedade frente ao problema através de ampla e persistente informação com palestras e o uso da mídia”, defende o doutor.